
A ferritina é uma proteína que armazena ferro nas células do organismo. O exame de ferritina é muito utilizado para avaliar as reservas de ferro, mas um resultado elevado nem sempre significa excesso de ferro. Isso acontece porque a ferritina também é uma proteína de fase aguda, ou seja, aumenta quando há inflamação, infecção ou lesão nos tecidos.
Principais causas de ferritina alta
A ferritina pode estar elevada por diversos motivos, entre eles:
-Diabetes tipo 2, especialmente quando há resistência à insulina.
-Obesidade e síndrome metabólica, que favorecem um estado de inflamação crônica.
-Esteatose hepática (gordura no fígado) e outras doenças do fígado, como hepatites e cirrose.
-Infecções, tanto agudas quanto crônicas.
- Doenças inflamatórias e autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus.
-Hemocromatose, uma doença genética que provoca acúmulo excessivo de ferro no organismo.
-Consumo excessivo de bebidas alcoólicas, que pode causar lesão hepática.
-Alguns tipos de câncer, principalmente doenças do sangue e alguns tumores sólidos.
-Transfusões de sangue repetidas, que podem levar ao acúmulo de ferro.
-Uso excessivo de suplementos de ferro, quando não há indicação médica.
Por que a ferritina alta é comum em pessoas com diabetes?
Pessoas com diabetes tipo 2 frequentemente apresentam inflamação crônica de baixo grau. Esse processo faz com que o organismo produza mais ferritina, mesmo sem excesso de ferro.
Além disso, é comum que pessoas com diabetes também tenham obesidade, resistência à insulina e gordura no fígado, fatores que contribuem para o aumento da ferritina.
Por isso, em muitos pacientes diabéticos, a ferritina elevada reflete o processo inflamatório e não necessariamente um excesso de ferro.
Ferritina alta é sempre preocupante?
Nem sempre. Um valor elevado deve ser interpretado em conjunto com outros exames, como ferro sérico, saturação de transferrina, capacidade total de ligação do ferro, hemograma e exames de função hepática.
O tratamento depende da causa. Em alguns casos, basta controlar o diabetes, perder peso, tratar a doença de base ou reduzir a inflamação para que os níveis de ferritina diminuam. Já quando há excesso de ferro, como na hemocromatose, pode ser necessário um tratamento específico.
Por isso, uma ferritina alta nunca deve ser analisada isoladamente. A avaliação médica é fundamental para identificar a causa e definir a melhor conduta.