Saúde em Primeiro Lugar: Insulina inalável: como funciona, benefícios e ação

Insulina inalável: como funciona, benefícios e ação



A insulina inalável surgiu como uma alternativa à aplicação de insulina por injeção, principalmente para o controle da glicose durante as refeições. Em vez de ser aplicada com seringa, caneta ou bomba, a insulina é administrada pelos pulmões por meio de um inalador e chega rapidamente à corrente sanguínea.

Um dos principais medicamentos dessa categoria é a Afrezza, uma insulina humana de ação ultrarrápida disponível nos Estados Unidos. A proposta é oferecer uma alternativa para a chamada insulina das refeições, também conhecida como insulina prandial.

Como a insulina inalável funciona?

O medicamento é colocado em um cartucho específico, que é inserido no inalador. Ao inspirar pela boca, a insulina chega aos pulmões, onde é absorvida e passa rapidamente para a circulação sanguínea.

Essa via de administração proporciona um início de ação mais rápido do que muitas formulações de insulina injetável. No caso da Afrezza, a redução da glicemia pode começar aproximadamente 12 minutos após a inalação.

Por ter uma ação rápida, a insulina inalável pode ser administrada mais próxima do momento da refeição. Isso pode ser interessante em situações nas quais o horário ou a quantidade de alimentos consumidos não são totalmente previsíveis.

Quais são os principais benefícios?

Entre os possíveis benefícios da insulina inalável estão:

  • Ação ultrarrápida, com início do efeito em aproximadamente 12 minutos.

  • Administração sem injeção, o que pode ser uma alternativa para pessoas que têm dificuldade ou desconforto com aplicações frequentes.

  • Maior flexibilidade em relação ao horário da refeição, já que a aplicação pode ocorrer mais próxima do momento de comer.

  • Absorção pulmonar rápida, permitindo que a insulina chegue à circulação de maneira relativamente veloz.

  • Pode ser utilizada como insulina das refeições, reduzindo parte da necessidade de aplicações de insulina de ação rápida por via subcutânea.

É importante destacar, entretanto, que esses benefícios não significam que a insulina inalável seja adequada para todas as pessoas. A escolha do tratamento depende do tipo de diabetes, controle glicêmico, função pulmonar, rotina e avaliação individual feita pela equipe de saúde.

Qual é a ação e a meia-vida?

A Afrezza apresenta um perfil farmacocinético bastante rápido. O efeito começa aproximadamente 12 minutos após a inalação, com rápida elevação da concentração de insulina no sangue.

A meia-vida aparente da insulina inalável é curta, em torno de 30 a 50 minutos, embora o efeito sobre a glicemia não seja determinado exclusivamente pela meia-vida do medicamento no sangue.

De maneira geral, sua ação é mais concentrada no período próximo à refeição, característica que diferencia a insulina inalável das formulações de ação mais prolongada.

Essa velocidade também exige atenção. Como a glicose pode continuar subindo depois da refeição, especialmente após refeições com maior quantidade de gordura ou proteína, algumas pessoas podem precisar de ajustes individualizados no tratamento.

A insulina inalável substitui todas as aplicações?

Não.

No diabetes tipo 1, a insulina inalável não substitui a necessidade de insulina basal. O organismo continua precisando de uma quantidade contínua de insulina para controlar a glicose entre as refeições e durante o período de jejum.

Por isso, a insulina inalável pode ser utilizada para cobrir as refeições, enquanto a insulina basal continua sendo necessária.

Um dos desafios: acertar a dose

Um ponto importante é que a dose da insulina inalável não deve ser simplesmente convertida de forma automática a partir da dose de insulina injetável.

O estudo INHALE-3, que acompanhou 123 adultos com diabetes tipo 1 durante 17 semanas, mostrou que uma conversão de 1 para 1 entre a dose de insulina injetável e a inalável não funcionava adequadamente para muitos participantes.

Os resultados indicaram que uma dose inicial próxima do dobro da quantidade de insulina injetável utilizada anteriormente poderia ser necessária em muitos casos, seguida de ajustes individualizados.

Isso reforça que a utilização da insulina inalável exige acompanhamento médico e monitorização da glicose.

O que os estudos mostraram?

Ao final das 17 semanas do estudo INHALE-3, a média de A1C foi de 7,6% nos dois grupos avaliados.

Entre os participantes que utilizaram Afrezza:

  • 28% reduziram a A1C em pelo menos 0,5%;

  • 21% apresentaram aumento da A1C;

  • 25% tiveram melhora no tempo dentro da faixa-alvo de glicose;

  • 31% apresentaram piora nesse indicador.

Na extensão do estudo, com mais 13 semanas de acompanhamento, 42% das pessoas que utilizaram Afrezza atingiram A1C inferior a 7%.

Esses resultados mostram que a resposta ao tratamento pode variar bastante entre as pessoas. Portanto, a insulina inalável não deve ser apresentada como uma solução universal ou necessariamente superior à insulina injetável.

E as refeições com muita gordura ou proteína?

Outro aspecto que merece atenção é a composição da refeição.

Alimentos ricos em gordura ou proteína podem retardar a elevação da glicose após a refeição. Como a insulina inalável tem ação muito rápida, pode existir um descompasso entre o momento em que a insulina atua e o momento em que a glicose da refeição aumenta.

Por isso, o acompanhamento da glicemia e os ajustes individualizados são importantes, especialmente para pessoas que apresentam elevações tardias da glicose após determinadas refeições.

E a Afrezza no Brasil?

A AfREZZA chegou a receber aprovação da Anvisa, mas sua utilização no país foi limitada e o produto acabou sendo descontinuado.

Entre os fatores associados à baixa utilização estavam o custo, a adesão ao tratamento e os resultados considerados abaixo das expectativas em determinados contextos.

Atualmente, portanto, a experiência brasileira com a insulina inalável é bastante diferente da disponibilidade observada nos Estados Unidos.

Insulina inalável é melhor que insulina injetável?

A resposta não é simples.

A principal diferença está na forma de administração e na velocidade de ação. Para algumas pessoas, evitar aplicações antes das refeições pode representar uma vantagem. Por outro lado, a necessidade de ajustar corretamente a dose, o custo, a disponibilidade e as características individuais do paciente podem limitar sua utilização.

Além disso, no diabetes tipo 1, a insulina inalável não elimina a necessidade de insulina basal.

Em resumo

A insulina inalável representa uma alternativa tecnológica à insulina prandial injetável. Sua principal característica é a ação muito rápida, com início do efeito da Afrezza aproximadamente 12 minutos após a inalação e meia-vida aparente curta.

Apesar da praticidade e da velocidade de ação, o tratamento exige individualização da dose, monitorização da glicose e acompanhamento profissional. Os estudos mostram que algumas pessoas podem se beneficiar, enquanto outras podem apresentar piora do controle glicêmico.

Como acontece com qualquer tratamento para diabetes, a decisão de utilizar ou não a insulina inalável deve ser feita individualmente, considerando os riscos, benefícios, características da rotina e objetivos de controle glicêmico.

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